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A paixão pelo mundo árabe surgiu nas tardes de minha infância, ao assistir o seriado Jeannie é um Gênio, pois, junto à comédia dos anos cinquenta, havia números de dança árabe, como nos filmes egípcios. Em maio de 2000, comecei a tomar aulas com Rosilene Santos. De início, achei que não conseguiria, pois, na realidade, a dança trabalha o feminino. Aos poucos e com paciência fui descobrindo a beleza de cada movimento, de cada acorde musical. Percebi que, apesar de ser um pouco diferente, a cultura árabe não está tão distante assim de nós, brasileiros. Em 2005 iniciei os estudos do árabe para entender as letras das músicas árabes. Unido a esse conhecimento, veio o interesse pela música e cultura árabes. Em 2006 fui admitida como professora no Zahra Studio de Dança do Ventre, principiando minha jornada como mestra/pesquisadora da dança oriental. Em 2008 fundei o Harém Centro de Danças no Sudoeste e, em 2010 fiz a transferência da escola para Taguatinga. Busco entender a dança, de modo geral, e a dança do ventre, de modo específico, como forma de o ser humano se expressar num mundo conturbado e caótico. E posso afirmar que cada passo tem trazido gratas surpresas e plena alegria!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Autêntico perfume: um romance - capítulo 3

Autêntico perfume
Capítulo três


Rudi explicou que a fidelização é importante para garantir o retorno do investimento. Alertou que o custo abordado era somente da campanha publicitária no Canadá e não no restante do mundo.
— Eu quero esclarecer que o projeto completo, de ponta a ponta, está na casa dos noventa milhões de dólares. Envolve a pesquisa sobre o perfil do cliente a ser atingido a escolha dos melhores componentes que representarão o perfil levantado, o desenvolvimento de um design adequado, à marca e ao nome do novo perfume. Iniciado em 2003, a primeira etapa foi finalizada em 2004. Descobriu-se então que as mulheres a partir dos vinte  e sete anos tinham um pensamento diferente com  relação ao trabalho, à família e aos relacionamentos. Algo que poderia ser transformado em uma marca e em um perfume. Essas mulheres já não querem passar tanto tempo no escritório, mas também não querem voltar a ser típicas donas de casa. Elas expressam suas ideias e vontades mais diretamente, independente do que isso possa causar ao outro. Esse comportamento está diferenciado do movimento feminista do século vinte, que elegeu o homem o inimigo número um das mulheres e que fez manifestações ao redor do mundo com queima de sutiãs.  Essa nova mulher não vê o homem como seu opositor ou algoz, mas como alguém que também foi pego de surpresa pela mudanças cada vez mais rápidas. Alguém que está tentando se adaptar às novas demandas do papel social. O marido passou a ser o companheiro, o parceiro de forma efetiva. A mulher então começou um processo novo, a adequação a esses novos papéis. Ela está ressentida com a dificuldade de alguns parceiros em perceber isso e se adaptar. Essa nova mulher entende que sua participação ativa só tem a acrescentar no relacionamento íntimo e pessoal, bem como nas relações sociais em geral. Enfim o perfume deve ser visto como uma ode a essa nova atitude feminina. Depois do perfil, dos componentes, do design e da marca, foram desenvolvidos os primeiros protótipos para testes com potenciais clientes. Elas se mostraram bastante receptivas e positivamente manifestaram interesse na compra do perfume. O nome escolhido: Desire. Não há nada de original na palavra escolhida, mas, durante a testagem da fragrância,  a resposta foi sobremaneira positiva. E a abrangência da pesquisa alcançou os oitenta anos. Os resultados foram surpreendentes.
Léo olhou suas anotações e não encontrou essas informações no dossiê encaminhado pela Charme Ltda.
—  Eu não entendo... —  interrompeu Léo intempestivamente a fala de Rudi —  ... por que esse dados não constam do dossiê de trabalho da minha editoria. Você pode me explicar Laura?
—  Bem, eu tencionava mencioná-las na próxima reunião após a explanação para fazer os ajustes necessários.
—  Mas esses dados fazem muita diferença na exposição, no estudo publicitário e no direcionamento de mídia para o lançamento do perfume Laura. Como pôde.. não repassar as informações?
—  Eu queria um campanha sóbria, mas sincera. A contaminação pelas cifras do projeto poderiam prejudicar a criatividade que eu pretendia alcançar.
—  Mas Laura...
—  Eu sei que soneguei informação, mas você conseguiu alcançar o meu objetivo. A campanha esta sóbria, mas criativa. Com certeza vai chamar muito a atenção de todos!
—  Estou estupefata com sua atitude Laura. Você ouviu o que Rudi disse? —  nesse momento levantou-se da mesa de reuniões —  é importante conhecer o grau de fidelidade dessas mulheres.
—  Isso é besteira, Léo. Não em venha com essa! —  respondeu rispidamente Laura —  Nós somos mulheres! Nós sabemos que, uma vez que assumamos um compromisso, tentamos até o fim cumpri-lo, não é? As mulheres se casam melhor com os perfumes do que com os homens. Uma vez escolhido o favorito, é difícil deixar de usá-lo pelo menos em ocasiões marcantes ou especiais!
—  Claro, mas sonegar informações, Laura! Não é justo! Com a empresa, com o projeto e especialmente comigo! É um aspecto importante que não pode ser deixado de lado!
—  Você está radicalizando! Eu queria somente preservar a campanha da tentação da empresa de publicidade e da sua equipe de viajar na maionese.
—  Ridículo! —  gritou Léo —  Sinto, mas acho que a situação está insustentável. Eu peço para me retirarem da direção do projeto do Desire. Verei com nosso coordenador a seleção de outro gerente, se assim você preferir!
—  Não é possível, Léo! Só quis preservá-la e é assim que reage?
—  Sinto! Estou me retirando... —  falou rapidamente, recolhendo seu material e saindo sem olhar para trás.
—  Um minuto! —  interrompeu Rudi, um pouco espantado com o rumo da conversa entre as duas mulheres —  desculpe não queria causar transtornos a você Laura! Mas não podemos permitir que Léo saia agora do projeto. Seria uma catástrofe! Sonegar as informações realmente foi um erro, mas não chega a ser grave!
Léo estava no hall do andar, aguardando o elevador, quando Rudi a segurou pelo braço.
—  Calma aí! Precisamos falar!
—  Sinto, mas você terá que se reportar ao meu coordenador. Eu estou fora!
—  Você é sempre assim...
—  Assim como?
—  Impulsiva, intempestiva...
—  Não, mas não posso aguentar desrespeito. Laura me deixou agir como idiota. Como pôde sonegar informações importantes?
—  Você não sabe como ela gosta de manipular as pessoas para conseguir seus objetivos. Você não a conhece como eu! Sempre querendo manter-se no controle da situação...
Léo estancou absorta com o comentário. Como poderia ser? O jeito de Rudi ao se referir a Laura era o mesmo de Sven ao falar sobre Kíria.
—  Agora já não importa mais... Não terei mais que falar com ela...
—  Você está muito nervosa! Será que posso convidá-la para jantar? Vá para casa, descanse um pouco e às nove horas mando apanhá-la para jantarmos em meu hotel, certo?
—  Mas...
—  Infelizmente não aceito “não” como resposta. Temos muito que acertar. Gostaria de fazê-lo no jantar. Diga-me seu endereço!
Léo informou-lhe seu endereço sem ter como recusar. Estava hipnotizada com a proximidade daquele homem semelhante a Sven. O elevador chegou e ela entrou como um autômato. Quando teria sua vida sob controle novamente? Desde que Sven surgira, tudo virara de ponta-cabeça.
Respirou fundo quando chegou à rua. Havia um cheiro de umidade no ar. Acabara de chover. Nas ruas molhadas, as pessoas se movimentavam apressadas. Léo tinha somente duas horas para estar pronta. Apanhou seu carro e não soube como chegou em casa. Jogou-se na cama, confusa.
Que semana! Será que embolaria mais? Por que Rudi era parecido com Sven? Quem era ele? Será que Sven finalmente acreditara em sua história e agora tentava um meio de falar com ela?
Às oito horas saltou da cama, tomou uma ducha fria para limpar a mente, perfumou-se. Vestiu um lindo vestido branco de seda, que realçava suas formas e destacava o tom de sua pele: jambo. Colocou joias simples.
Uma limusine foi apanhá-la pontualmente às nove horas e conduziu-a ao hotel, onde Rudi estava hospedado: um sofisticado cinco estrelas à beira-mar.
Léo pensou em perguntar a Rudi se ele seria Sven, mas desistiu da ideia. Ele pensaria que ela era louca ou coisa parecida. Decidiu aproveitar o jantar da melhor maneira possível.
Ao chegar, foi levada ao restaurante, que estava deserto. Rudi a aguardava vestido num legítimo Giorgio Armani cinza feito sob medida.  "Sóbrio e charmoso", pensou Léo, "exatamente como Sven". Afastou os pensamentos.
—  Nossa! Como você está linda! Exuberante!
—  Obrigada! —  sorriu Léo.
—  Você estava muito tensa no final da reunião!
—  Não era para estar? Quando você é vítima de manipulação e descobre, é o fim! Parece outra situação que vivi recentemente...
—  Que situação?
—  Você disse que temos muito a acertar! Do que se trata?
—  Léo, antes de tudo, eu compreendo sua relutância em continuar no projeto, mas não podemos abrir mão de você e de tudo o que foi feito até aqui! Gostaria que reconsiderasse sua decisão.
—  Infelizmente, Rudi, não vejo como conseguir isso. Laura agiu de forma desleal.
—  Eu sei! Eu disse a ela que foi estupidez... Espero mesmo que reconsidere.
Nesse momento, uma das mãos  de Rudi tocou a de Léo. Ela sentiu uma onda de calor . Ai! Como era bom sentir aquele toque! Léo disfarçou.
—  Eu até poderia fazê-lo —  retrucou Léo, recolhendo sua mão , mas com uma condição.
—  Peça! Prometo que moverei céus e terra para mantê-la conosco.
—  Não quero mais tratar com Laura. Eu a respeitava bastante, mas depois de hoje, não creio que possa mais confiar nela.
—  Léo, ela é a presidente da Charme!
—  Eu sei! Tocarei o projeto em frente, desde que não tenha que tratar diretamente com ela. Eu sei que fui intempestiva ao pedir demissão, mas não podia deixar barato toda a situação. Empenhei-me muito com minha equipe nesse projeto. Até tive que recusar ou protelar outros projetos para que a dedicação fosse total. É muito ruim ver tudo ir por água abaixo. Rudi gostaria de tratar tudo com você!
—  Mas eu não estarei aqui por muito tempo... Na verdade eu estou aqui por insistência de Laura. Ela disse-me que era imprescindível vir e participar da explanação sobre a campanha. Jamais imaginei que tramava alguma coisa.
—  É claro que ser feita de boba é muito ruim! Ninguém gosta disso, mas o que realmente pesou foi a sonegação de informação. Ainda por cima um tipo de informação crucial, que não pode ser conseguida por outra fonte.
—  É, você tem razão... —  suspirou Rudi desesperançado —  Como poderemos resolver esse impasse?
—  Tome esse projeto em suas mãos. Você pode fazê-lo com base na atitude de Laura. Não sou orgulhosa a ponto de deixar que um trabalho, no qual coloquei toda minha energia criativa, vá para o espaço. Reconsidere em ficar, tocar todas as etapas e supervisionar a minha equipe. Eu sei que, apesar de termos que corrigir o rumo da campanha, ela funciona. Ela atinge seu objetivo!
—  Uau! Como você fala com entusiasmo! Há tempos que não convivo com alguém assim tão focado! Você vê porque não pode deixar o projeto? —  Rudi alcançou a mão de Léo e a apertou levemente.
O maitre trouxe a carta de vinhos. Rudi selecionou um tinto seco, safra 1986 para continuarem a conversa.
—  É isso que eu quero Rudi! Além de distância da Laura...
Pediram a sugestão do chef: rosbife ao molho de laranja com purê de batatas e lentilhas. Léo apreciou bastante o jantar. O vinho estava perfeito, de sabor encorpado. O rosbife muito perfumado.
—  Pense na minha proposta! E dê-me uma resposta amanhã —  pontuou Léo, erguendo a taça. O gesto foi prontamente correspondido por Rudi. Léo pediu crepe suzette para sobremesa, pois era leve e possuía um sabor exótico.
Mergulharam então numa conversa amistosa sobre viagens, lugares favoritos, acontecimentos. Riram muito. “Ah! Que delícia!”, pensou Léo, “Há quanto tempo não passava uma noite tão agradável ao lado de um homem inspirador.

Os dias haviam se sucedido sem promessas, apresentando só o estresse e a pressão de Laura em torno da campanha. Aquela louca deveria ser internada. Por que não forneceu as informações? Deveria deixar tudo correr de acordo com a cabeça desvairada dela? Loucura! Entretanto ela estava ali em frente a um homem lindo, másculo, inteligente e parecido com Sven. Como explicar isso?
—  Você já teve a impressão de encontrar alguém que já tenha visto em outro lugar, em outra situação, Rudi?
—  Isso acontece muito, mas é só impressão...
—  Não é impressão! Pode parecer loucura, mas eu o conheci em outra época!
—  O que diz?!?
—  É fato! Você se chamava Sven, vivia numa cidade do século treze em algum lugar entre a Suíça e a França. Estava em pé de guerra com uma rainha chamada Kíria por causa de um lindo campo de lavanda. Este campo tinha pertencido à sua família por gerações, mas seu avô havia vendido para o pai dessa rainha. Eu acabei me envolvendo na história, porque Kíria queria vender o tal campo para mim a qualquer custo. Você tentava me dissuadir de comprá-lo.
—  Interessante, Léo! Mas eu não sou esse Sven! Acho que ele causou uma forte impressão em você!
—  Talvez tenha sido tudo obra da minha imaginação e da minha mente estressada! —  Léo não pode esconder a frustação após a revelação da história de Sven.
—  O jantar estava fabuloso, não?
—  Sim... —  respondeu Léo um pouco absorta em seus pensamentos.
—  Ainda é cedo! Nós poderíamos passear pela cidade ou ir a algum lugar para continuarmos nossa conversa, o que acha? Eu não conheço bem a cidade!
—  Eu não sei... —  vacilou Léo.
—  Você pediu demissão do projeto, não foi? Então tecnicamente você não está mais ligada à Charme, nem à Laura nem tão pouco a mim...
—  Pode ser... — Léo ficou pensativa.

— Eu só darei resposta à sua proposta amanhã. Então qual o problema?

Era a primeira vez em dias que teria uma folga para se distrair e o estresse de hoje a tinha consumido.

—  OK, tudo bem! — respondeu por fim, dando-se por vencida.
Rudi solicitou um automóvel com motorista.
—  Você conhece o lado norte da cidade? Há grandes monumentos, que foram restaurados e bem iluminados. Eles mostram a grandiosidade da história de Quebec!
—  Hum... Jean siga a orientação da senhorita. Lado norte da cidade...
—  Sim, senhor!
Levaram cerca de quinze minutos para chegar ao destino. Rudi ficou impressionado com a beleza do lugar. Os monumentos eram grandiosos. Como a geografia era irregular, a cidade se espraiava abaixo como um grande lago de luzes.
—  Nossa! Léo realmente é muito bonito.
—  É! Gosto daqui! É tranquilo para refletir!
Léo se encolheu de frio. A noite estava limpa, mas havia uma brisa. Rudi retirou o paletó e o colocou sobre os ombros de Léo.
—  Obrigada!
—  A noite está linda, não acha?
—  Sim, maravilhosa...
—  Pena que não sou o homem que você pensava...
Sentaram-se na praça central dos monumentos. Várias luzes avermelhadas delineavam o perfil das estátuas e dos prédios.
—  Não pense mal de mim, Rudi! É que esse dias foram um pouco pesados para mim: a organização da campanha, os preparativos para a reunião.
—  Compreendo! Na verdade, acho que você pode ter tido uma depressão por ter trabalhado tanto sem descanso e distração!
—  Será?
—  É bem provável!
—  Espero que eu não o tenha chateado com essa história?
—  Claro que não!
—  É pena que tenha sido tudo imaginação — suspirou Léo.
—  Vejo que esse homem a impressionou bastante.
—  Sim! Eu sempre fui muito dinâmica, com inciativa. Até um pouco forte! Mas o que eu queria mesmo era poder baixar a guarda, relaxar, ser feminina. Não ter todas as respostas! Encontrar alguém...
—  Ainda não encontrou?
—  Eu pensei que tivesse encontrado... —  Léo sussurrou, olhando tristemente ao longe.
Rudi se aproximou um pouco, tocou-lhe o queixo e beijou-lhe a face, depois os lábios. Primeiro suavemente, depois passou a beijá-la apaixonadamente. Léo, a princípio, tentou resistir, mas estava tão melancólica, que se rendeu.
—  Léo, você é que me deixou impressionado. Nossa! A forma como você enfrentou Laura! Poucas vezes vi esse tipo de atitude! Todos são sempre tão dissimulados, preocupados em agradar!
—  Eu não suporto hipocrisia, manipulação. Prefiro que tudo seja feito às claras. Tudo seria mais leve, mais fácil...
—  Ah! Léo... —  Rudi beijou-a ternamente. Depois a conduziu para o carro. Rudi pediu que Jean os levasse ao apartamento de Léo. Durante o percurso Rudi segurava a mão de Léo e vez por outra a levava aos lábios.
Léo estava confusa! O cheiro, o jeito, o beijo; tudo, enfim, a fazia lembrar de Sven. Como poderia não ser esse homem o duque de Thurgal? Chegaram ao prédio de Léo. Jean saltou do carro e abriu a porta para Léo. Rudi desceu e tomou suas mãos e levou aos lábios.
—  Boa noite minha querida! Procure descansar, porque amanhã teremos muito o que fazer com relação ao projeto!
—  Você vai coordená-lo?
—  Não há outra solução, há?
—  Não... — sussurrou Léo.
—  Aguardo você amanhã às dez horas na sede da Charme.
—  Mas e Laura?
—  Deixe-a comigo! Ela pode ser manipuladora e prepotente, mas sabe quando está diante de um impasse que, por qualquer erro, pode colocar tudo a perder!
—  Tomara que esteja certo! Boa noite!
—  Boa noite!
Léo viu o carro se distanciar e suspirou. Fora uma noite maravilhosa! Que homem encantador! Há muito não privava de companhia masculina tão agradável. Tomou o elevador pensativa. Será que Laura entenderia a situação e sua insistência em permanecer sob a coordenação de Rudi?
Ao abrir a porta, Jade veio recebê-la sonolenta.
—  Oi, bebê! Como passou o dia? Sua mamãe está muito cansada! Vou colocar um pouco de leite para você!
Jade se espichou e se entregou às carícias de Leo. Ela bebeu rapidamente o leite e se empoleirou em seu cantinho. Léo, por sua vez, abriu o vestido e deixou-o escorregar. Apesar do estresse que foi o confronto com Laura, sentia-se leve. Pôde até cantarolar alguma coisa!
Aconchegou-se entre o lençóis e lembrou do jantar e do passeio com Rudi. É lógico que ele não era Sven! Sven era forte, másculo, mas inseguro, precipitado, nervoso. Rudi era terno, carinhoso, porém possuía um caráter marcante, aberto. Ele parecia não ter medo...
Medo era o que ela sempre sentira. Quando adolescente, deixou de se lançar nas descobertas que pontuam essa idade, por causa dele, do medo. Ficava paralisada. Sofria muito. Acabou vivendo pela metade.
Admirava Rudi! Sua coragem, sua liberdade! Aquele homem tinha autoconfiança! Agora tinha certeza: Sven era uma parte de si mesma! Inseguro, imprudente, impaciente, titubeante... Tudo o que vira e ouvira era projeção de si mesma e de seus medos.
Lembrou mais uma vez de Rudi e adormeceu.

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