Autêntico perfume
Capítulo três
— Eu quero esclarecer
que o projeto completo, de ponta a ponta, está na casa dos noventa milhões de
dólares. Envolve a pesquisa sobre o perfil do cliente a ser atingido a escolha
dos melhores componentes que representarão o perfil levantado, o
desenvolvimento de um design adequado, à marca e ao nome do novo perfume. Iniciado em 2003, a primeira
etapa foi finalizada em 2004. Descobriu-se então que as mulheres a partir dos
vinte e sete anos tinham um pensamento
diferente com relação ao trabalho, à
família e aos relacionamentos. Algo que poderia ser transformado em uma marca e
em um perfume. Essas mulheres já não querem passar tanto tempo no escritório,
mas também não querem voltar a ser típicas donas de casa. Elas expressam suas
ideias e vontades mais diretamente, independente do que isso possa causar ao
outro. Esse comportamento está diferenciado do movimento feminista do século
vinte, que elegeu o homem o inimigo número um das mulheres e que fez manifestações
ao redor do mundo com queima de sutiãs. Essa nova mulher não vê
o homem como seu opositor ou algoz, mas
como alguém que também foi pego de surpresa pela mudanças cada vez mais
rápidas. Alguém que está tentando se adaptar às novas demandas do papel social. O marido passou a ser o
companheiro, o parceiro de forma efetiva. A mulher então começou um processo
novo, a adequação a esses novos papéis. Ela está ressentida com a dificuldade
de alguns parceiros em perceber isso e se adaptar. Essa nova mulher entende que
sua participação ativa só tem a acrescentar no relacionamento íntimo e pessoal,
bem como nas relações sociais em geral. Enfim o perfume deve ser visto como uma
ode a essa nova atitude feminina. Depois do perfil, dos
componentes, do design e da marca,
foram desenvolvidos os primeiros protótipos para testes com potenciais
clientes. Elas se mostraram bastante receptivas e positivamente manifestaram
interesse na compra do perfume. O nome escolhido: Desire. Não há nada de
original na palavra escolhida, mas, durante a testagem da fragrância, a resposta foi sobremaneira positiva. E a
abrangência da pesquisa alcançou os oitenta anos. Os resultados foram
surpreendentes.
Léo olhou suas anotações
e não encontrou essas informações no dossiê encaminhado pela Charme Ltda.
— Eu não entendo... — interrompeu Léo intempestivamente a fala de Rudi — ... por que esse dados não
constam do dossiê de trabalho da minha editoria. Você pode me explicar Laura?
— Bem, eu tencionava
mencioná-las na próxima reunião após a explanação para fazer os ajustes necessários.
— Mas esses dados
fazem muita diferença na exposição, no estudo publicitário e no direcionamento
de mídia para o lançamento do perfume Laura. Como pôde.. não repassar as
informações?
— Eu queria um
campanha sóbria, mas sincera. A contaminação pelas cifras do projeto poderiam
prejudicar a criatividade que eu pretendia alcançar.
— Mas Laura...
— Eu sei que soneguei
informação, mas você conseguiu alcançar o meu objetivo. A campanha esta sóbria,
mas criativa. Com certeza vai chamar muito a atenção de todos!
— Estou estupefata com
sua atitude Laura. Você ouviu o que Rudi disse? — nesse momento levantou-se da
mesa de reuniões — é importante conhecer o grau de fidelidade dessas mulheres.
— Isso é besteira,
Léo. Não em venha com essa! — respondeu rispidamente Laura — Nós somos
mulheres! Nós sabemos que, uma vez que assumamos um compromisso, tentamos até o
fim cumpri-lo, não é? As mulheres se casam melhor com os perfumes do que com os
homens. Uma vez escolhido o favorito, é difícil deixar de usá-lo pelo menos em
ocasiões marcantes ou especiais!
— Claro, mas sonegar
informações, Laura! Não é justo! Com a empresa, com o projeto e especialmente
comigo! É um aspecto importante que não pode ser deixado de lado!
— Você está
radicalizando! Eu queria somente preservar a campanha da tentação da empresa de
publicidade e da sua equipe de viajar na maionese.
— Ridículo! — gritou
Léo — Sinto, mas acho que a situação está insustentável. Eu peço para me
retirarem da direção do projeto do Desire.
Verei com nosso coordenador a seleção de outro gerente, se assim você preferir!
— Não é possível, Léo!
Só quis preservá-la e é assim que reage?
— Sinto! Estou me
retirando... — falou rapidamente, recolhendo seu material e saindo sem olhar
para trás.
— Um minuto! — interrompeu
Rudi, um pouco espantado com o rumo da conversa entre as duas mulheres — desculpe não queria causar transtornos a você Laura! Mas não podemos permitir
que Léo saia agora do projeto. Seria uma catástrofe! Sonegar as informações
realmente foi um erro, mas não chega a ser grave!
Léo estava no hall do andar, aguardando o elevador,
quando Rudi a segurou pelo braço.
— Calma aí!
Precisamos falar!
— Sinto, mas você terá
que se reportar ao meu coordenador. Eu estou fora!
— Você é sempre
assim...
— Assim como?
— Impulsiva,
intempestiva...
— Não, mas não posso
aguentar desrespeito. Laura me deixou agir como idiota. Como pôde sonegar
informações importantes?
— Você não sabe como
ela gosta de manipular as pessoas para conseguir seus objetivos. Você não a
conhece como eu! Sempre querendo manter-se no controle da situação...
Léo estancou absorta
com o comentário. Como poderia ser? O jeito de Rudi ao se referir a Laura era o
mesmo de Sven ao falar sobre Kíria.
— Agora já não importa
mais... Não terei mais que falar com ela...
— Você está muito
nervosa! Será que posso convidá-la para jantar? Vá para casa, descanse um pouco
e às nove horas mando apanhá-la para jantarmos em meu hotel, certo?
— Mas...
— Infelizmente não aceito
“não” como resposta. Temos muito que acertar. Gostaria de fazê-lo no jantar.
Diga-me seu endereço!
Léo
informou-lhe seu endereço sem ter como recusar. Estava
hipnotizada com a proximidade daquele homem semelhante a Sven. O elevador chegou
e ela entrou como um autômato. Quando teria sua vida sob controle novamente?
Desde que Sven surgira, tudo virara de ponta-cabeça.
Respirou fundo quando
chegou à rua. Havia um cheiro de umidade no ar. Acabara de chover. Nas ruas
molhadas, as pessoas se movimentavam apressadas. Léo tinha somente duas
horas para estar pronta. Apanhou seu carro e não soube como chegou em casa.
Jogou-se na cama, confusa.
Que semana! Será que
embolaria mais? Por que Rudi era parecido com Sven? Quem era ele? Será que Sven
finalmente acreditara em sua história e agora tentava um meio de falar com ela?
Às oito horas saltou da
cama, tomou uma ducha fria para limpar a mente, perfumou-se. Vestiu um lindo
vestido branco de seda, que realçava suas formas e destacava o tom de sua pele:
jambo. Colocou joias simples.
Uma limusine foi apanhá-la
pontualmente às nove horas e conduziu-a ao hotel, onde Rudi estava hospedado:
um sofisticado cinco estrelas à beira-mar.
Léo pensou em perguntar
a Rudi se ele seria Sven, mas desistiu da ideia. Ele pensaria que ela era louca
ou coisa parecida. Decidiu aproveitar o jantar da melhor maneira possível.
Ao chegar, foi levada
ao restaurante, que estava deserto. Rudi a aguardava vestido num legítimo
Giorgio Armani cinza feito sob medida. "Sóbrio e charmoso", pensou Léo, "exatamente
como Sven". Afastou os pensamentos.
— Nossa! Como você
está linda! Exuberante!
— Obrigada! — sorriu
Léo.
— Você estava muito
tensa no final da reunião!
— Não era para estar?
Quando você é vítima de manipulação e descobre, é o fim! Parece outra situação
que vivi recentemente...
— Que situação?
— Você disse que temos
muito a acertar! Do que se trata?
— Léo, antes de tudo,
eu compreendo sua relutância em continuar no projeto, mas não podemos abrir mão
de você e de tudo o que foi feito até aqui! Gostaria que reconsiderasse sua
decisão.
— Infelizmente, Rudi,
não vejo como conseguir isso. Laura agiu de forma desleal.
— Eu sei! Eu disse a
ela que foi estupidez... Espero mesmo que reconsidere.
Nesse momento, uma das
mãos de Rudi tocou a de Léo. Ela sentiu uma
onda de calor . Ai! Como era bom sentir aquele toque! Léo disfarçou.
— Eu até poderia
fazê-lo — retrucou Léo, recolhendo sua mão —, mas com uma condição.
— Peça! Prometo que
moverei céus e terra para mantê-la conosco.
— Não quero mais
tratar com Laura. Eu a respeitava bastante, mas depois de hoje, não creio que
possa mais confiar nela.
— Léo, ela é a
presidente da Charme!
— Eu sei! Tocarei o
projeto em frente, desde que não tenha que tratar diretamente com ela. Eu sei
que fui intempestiva ao pedir demissão, mas não podia deixar barato toda a
situação. Empenhei-me muito com minha equipe nesse projeto. Até tive que
recusar ou protelar outros projetos para que a dedicação fosse total. É muito
ruim ver tudo ir por água abaixo. Rudi gostaria de tratar tudo com você!
— Mas eu não estarei
aqui por muito tempo... Na verdade eu estou aqui por insistência de Laura. Ela
disse-me que era imprescindível vir e participar da explanação sobre a
campanha. Jamais imaginei que tramava alguma coisa.
— É claro
que ser feita de boba é muito ruim! Ninguém gosta disso, mas o que
realmente pesou foi a sonegação de informação. Ainda por cima um tipo de
informação crucial, que não pode ser conseguida por outra fonte.
— É, você tem razão...
— suspirou Rudi desesperançado — Como poderemos resolver esse impasse?
— Tome esse projeto em
suas mãos. Você pode fazê-lo com base na atitude de Laura. Não sou orgulhosa a
ponto de deixar que um trabalho, no qual coloquei toda minha energia criativa,
vá para o espaço. Reconsidere em ficar, tocar todas as etapas e supervisionar a
minha equipe. Eu sei que, apesar de termos que corrigir o rumo da campanha, ela
funciona. Ela atinge seu objetivo!
— Uau! Como você fala
com entusiasmo! Há tempos que não convivo com alguém assim tão focado! Você vê
porque não pode deixar o projeto? — Rudi alcançou a mão de Léo e a apertou
levemente.
O maitre trouxe a carta de vinhos. Rudi selecionou um tinto seco,
safra 1986 para continuarem a conversa.
— É isso que eu quero
Rudi! Além de distância da Laura...
Pediram a sugestão do chef: rosbife ao molho de laranja com
purê de batatas e lentilhas. Léo apreciou bastante o jantar. O vinho estava
perfeito, de sabor encorpado. O rosbife muito perfumado.
— Pense na minha
proposta! E dê-me uma resposta amanhã — pontuou Léo, erguendo a taça. O gesto
foi prontamente correspondido por Rudi. Léo pediu crepe suzette para sobremesa,
pois era leve e possuía um sabor exótico.
Mergulharam então numa
conversa amistosa sobre viagens, lugares favoritos, acontecimentos. Riram muito.
“Ah! Que delícia!”, pensou Léo, “Há quanto tempo não passava uma noite tão agradável
ao lado de um homem inspirador.”
Os dias haviam se sucedido sem promessas, apresentando só o estresse e a pressão de Laura em torno da campanha. Aquela louca deveria ser internada. Por que não forneceu as informações? Deveria deixar tudo correr de acordo com a cabeça desvairada dela? Loucura! Entretanto ela estava ali em frente a um homem lindo, másculo, inteligente e parecido com Sven. Como explicar isso?
Os dias haviam se sucedido sem promessas, apresentando só o estresse e a pressão de Laura em torno da campanha. Aquela louca deveria ser internada. Por que não forneceu as informações? Deveria deixar tudo correr de acordo com a cabeça desvairada dela? Loucura! Entretanto ela estava ali em frente a um homem lindo, másculo, inteligente e parecido com Sven. Como explicar isso?
— Você já teve a
impressão de encontrar alguém que já tenha visto em outro lugar, em outra
situação, Rudi?
— Isso acontece muito,
mas é só impressão...
— Não é impressão!
Pode parecer loucura, mas eu o conheci em outra época!
— O que diz?!?
— É fato! Você se
chamava Sven, vivia numa cidade do século treze em algum lugar entre a Suíça e
a França. Estava em pé de guerra com uma rainha chamada Kíria por causa de um lindo
campo de lavanda. Este campo tinha pertencido à sua família por gerações, mas
seu avô havia vendido para o pai dessa rainha. Eu acabei me envolvendo na
história, porque Kíria queria vender o tal campo para mim a qualquer custo.
Você tentava me dissuadir de comprá-lo.
— Interessante, Léo!
Mas eu não sou esse Sven! Acho que ele causou uma forte impressão em você!
— Talvez tenha sido
tudo obra da minha imaginação e da minha mente estressada! — Léo não pode
esconder a frustação após a revelação da história de Sven.
— O jantar estava
fabuloso, não?
— Sim... — respondeu
Léo um pouco absorta em seus pensamentos.
— Ainda é cedo! Nós
poderíamos passear pela cidade ou ir a algum lugar para continuarmos nossa
conversa, o que acha? Eu não conheço bem a cidade!
— Eu não sei... — vacilou Léo.
— Você pediu demissão
do projeto, não foi? Então tecnicamente você não está mais ligada à Charme, nem
à Laura nem tão pouco a mim...
— Pode ser... — Léo ficou pensativa.
— Eu só darei resposta à sua proposta amanhã. Então qual o problema?
Era a primeira vez em dias que teria uma folga para se distrair e o estresse de hoje a tinha consumido.
— OK, tudo bem! — respondeu por fim, dando-se por vencida.
— Eu só darei resposta à sua proposta amanhã. Então qual o problema?
Era a primeira vez em dias que teria uma folga para se distrair e o estresse de hoje a tinha consumido.
— OK, tudo bem! — respondeu por fim, dando-se por vencida.
Rudi solicitou um
automóvel com motorista.
— Você conhece o lado
norte da cidade? Há grandes monumentos, que foram restaurados e bem iluminados.
Eles mostram a grandiosidade da história de Quebec!
— Hum... Jean
siga a orientação da senhorita. Lado norte da cidade...
— Sim, senhor!
Levaram cerca de quinze
minutos para chegar ao destino. Rudi ficou impressionado com a beleza do lugar.
Os monumentos eram grandiosos. Como a geografia era irregular, a cidade se
espraiava abaixo como um grande lago de luzes.
— Nossa! Léo realmente
é muito bonito.
— É! Gosto daqui! É
tranquilo para refletir!
Léo se encolheu de frio.
A noite estava limpa, mas havia uma brisa. Rudi retirou o paletó e o colocou
sobre os ombros de Léo.
— Obrigada!
— A noite está linda,
não acha?
— Sim, maravilhosa...
— Pena que não sou o
homem que você pensava...
Sentaram-se na praça
central dos monumentos. Várias luzes avermelhadas delineavam o perfil das
estátuas e dos prédios.
— Não pense mal de mim, Rudi! É que esse dias foram um pouco pesados para mim: a organização da
campanha, os preparativos para a reunião.
— Compreendo! Na verdade, acho que você pode ter tido uma depressão por ter trabalhado
tanto sem descanso e distração!
— Será?
— É bem provável!
— Espero que eu não o
tenha chateado com essa história?
— Claro que não!
— É pena que tenha
sido tudo imaginação — suspirou Léo.
— Vejo que esse homem
a impressionou bastante.
— Sim! Eu sempre fui
muito dinâmica, com inciativa. Até um pouco forte! Mas o que eu queria mesmo
era poder baixar a guarda, relaxar, ser feminina. Não ter todas as respostas! Encontrar
alguém...
— Ainda não encontrou?
— Eu pensei que
tivesse encontrado... — Léo sussurrou, olhando tristemente ao longe.
Rudi se aproximou um
pouco, tocou-lhe o queixo e beijou-lhe a face, depois os lábios. Primeiro
suavemente, depois passou a beijá-la apaixonadamente. Léo, a princípio, tentou
resistir, mas estava tão melancólica, que se rendeu.
— Léo, você é que me
deixou impressionado. Nossa! A forma como você
enfrentou Laura! Poucas vezes vi esse tipo de atitude! Todos são sempre
tão dissimulados, preocupados em agradar!
— Eu não suporto
hipocrisia, manipulação. Prefiro que tudo seja feito às claras. Tudo seria mais
leve, mais fácil...
— Ah! Léo... — Rudi
beijou-a ternamente. Depois a conduziu para o carro. Rudi pediu que Jean os
levasse ao apartamento de Léo. Durante o percurso Rudi segurava a mão de
Léo e vez por outra a levava aos lábios.
Léo estava confusa! O
cheiro, o jeito, o beijo; tudo, enfim, a fazia lembrar de Sven. Como poderia
não ser esse homem o duque de Thurgal? Chegaram ao prédio de
Léo. Jean saltou do carro e abriu a porta para Léo. Rudi desceu e tomou suas
mãos e levou aos lábios.
— Boa noite minha
querida! Procure descansar, porque amanhã teremos muito o que fazer com relação
ao projeto!
— Você vai
coordená-lo?
— Não há outra
solução, há?
— Não... — sussurrou
Léo.
— Aguardo você amanhã
às dez horas na sede da Charme.
— Mas e Laura?
— Deixe-a comigo! Ela
pode ser manipuladora e prepotente, mas sabe quando está diante de um impasse
que, por qualquer erro, pode colocar tudo a perder!
— Tomara que esteja
certo! Boa noite!
— Boa noite!
Léo viu o carro se
distanciar e suspirou. Fora uma noite maravilhosa! Que homem encantador! Há
muito não privava de companhia masculina tão agradável. Tomou o elevador
pensativa. Será que Laura entenderia a situação e sua insistência em permanecer
sob a coordenação de Rudi?
Ao abrir a porta, Jade
veio recebê-la sonolenta.
— Oi, bebê! Como
passou o dia? Sua mamãe está muito cansada! Vou colocar um pouco de leite para
você!
Jade se espichou e se
entregou às carícias de Leo. Ela bebeu rapidamente o leite e se empoleirou em
seu cantinho. Léo, por sua vez, abriu o vestido e deixou-o escorregar. Apesar
do estresse que foi o confronto com Laura, sentia-se leve. Pôde até cantarolar
alguma coisa!
Aconchegou-se entre o
lençóis e lembrou do jantar e do passeio com Rudi. É lógico que ele não era
Sven! Sven era forte, másculo, mas inseguro, precipitado, nervoso. Rudi era
terno, carinhoso, porém possuía um caráter marcante, aberto. Ele parecia não
ter medo...
Medo era o que ela
sempre sentira. Quando adolescente, deixou de se lançar nas descobertas que
pontuam essa idade, por causa dele, do medo. Ficava paralisada. Sofria muito.
Acabou vivendo pela metade.
Admirava Rudi! Sua coragem,
sua liberdade! Aquele homem tinha autoconfiança! Agora tinha certeza: Sven era
uma parte de si mesma! Inseguro, imprudente, impaciente, titubeante... Tudo o
que vira e ouvira era projeção de si mesma e de seus medos.
Lembrou mais uma vez de Rudi e adormeceu.
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