A paixão pelo mundo árabe surgiu nas tardes de minha infância, ao assistir o seriado Jeannie é um Gênio, pois, junto à comédia dos anos cinquenta, havia números de dança árabe, como nos filmes egípcios.
Em maio de 2000, comecei a tomar aulas com Rosilene Santos. De início, achei que não conseguiria, pois, na realidade, a dança trabalha o feminino. Aos poucos e com paciência fui descobrindo a beleza de cada movimento, de cada acorde musical. Percebi que, apesar de ser um pouco diferente, a cultura árabe não está tão distante assim de nós, brasileiros.
Em 2005 iniciei os estudos do árabe para entender as letras das músicas árabes. Unido a esse conhecimento, veio o interesse pela música e cultura árabes.
Em 2006 fui admitida como professora no Zahra Studio de Dança do Ventre, principiando minha jornada como mestra/pesquisadora da dança oriental.
Em 2008 fundei o Harém Centro de Danças no Sudoeste e, em 2010 fiz a transferência da escola para Taguatinga.
Busco entender a dança, de modo geral, e a dança do ventre, de modo específico, como forma de o ser humano se expressar num mundo conturbado e caótico.
E posso afirmar que cada passo tem trazido gratas surpresas e plena alegria!
O relógio marcava sete
horas da manhã em ponto, quando Léo despertou. Olhou pela janela, o dia já havia
amanhecido. Uma leve brisa despenteava a copa das árvores. Os automóveis
começavam a circular freneticamente pelas ruas. Preguiçosamente alguns
pedestres se aventuravam nas calçadas para mais um dia de trabalho.
Dia de enfrentar a
fera. “Seja o que Deus quiser...”, pensou Léo ao lembrar do que aconteceria
logo mais no escritório da Charme Ltda.
Léo jogou-se embaixo de
uma ducha morna para acabar de acordar. Vestiu-se tranquilamente. Preparou seu
café e ficou relembrando a noite anterior. Sentiu um calafrio ao recordar os
lábios quentes de Rudi. Estava tão fascinada com a semelhança dele com Sven,
que a havia esquecido o prazer e a magia dos beijos dele. Uma onda de calor
subiu por suas costas.
Rudi era muito melhor
do que Sven! Terminou de se arrumar, organizou sua pasta e seguiu para a sede
da Charme.
O trajeto foi
tranquilo. Às nove horas e quarenta e cinco minutos fez-se anunciar na
presidência da Charme. Indagou pelo senhor Rudi.
— Ele está reunido com
a sra. Laura nesse momento e pediu que não houvesse interrupção. — respondeu prontamente
a secretária.
— Está bem! Tenho algumas
coisas a fazer até a hora da reunião. Avise por favor que já cheguei e que
estarei na sala de reunião. Muito obrigada!
— ok, Leonarda!
Avisarei assim que puder.
Léo dirigiu-se para a
sala de reuniões. Tentou recordar os detalhes e as informações passadas por
Rudi na fatídica reunião. Precisava acertar todos os desvios do projeto
com base nos dados fornecidos. A estratégia estava correta, mas alguns ajustes
faziam-se necessários para que o projeto não fracassasse.
Às dez horas, Rudi
adentrou a sala de reuniões seguido de Laura. Ela tinha uma expressão
contrariada, apesar do sorriso que tentava esboçar.
— Olá, Léo! Fico feliz
que tenha reconsiderado em não sair do projeto...
— Sim, mas impus
condições para voltar...
— Claro, querida! — disse num tom irônico. — Estou disposta a pagar o preço por ter sido tão leviana.
Eu não tenho escolha. Fique à vontade!
Após esse breve
diálogo, Laura deixou a sala de reuniões. Léo voltou-se para Rudi com expressão
de dúvida.
— Ela aceitou
passivamente a situação?
— Claro que não, Léo!
Você conhece a prepotência de Laura! Eu tive que ameaçar com a retirada dos investimentos
programados pelos parceiros europeus. Há várias vertentes da Charme que são voltadas
para a beleza masculina e outras para a beleza feminina: perfumes, cosméticos,
acessórios e até prêt-à-porter.
Consegui uma parceria para lançar uma linha de spas na Europa, iniciando por Londres e Paris, que logo se
estenderá para outras capitais europeias e depois alcançará os Estados Unidos e
o restante das Américas. É um projeto muito ambicioso e milionário, que se iniciará
com o lançamento do Desire na
Europa. Eu não poderia correr o risco de, por um capricho de Laura, perder
tudo. Está acima dela. Desde sempre ela sonha em expandir a empresa na
Comunidade Europeia, pois é onde tudo acontece.
— Interessante! Você
usou o veneno dela para neutralizá-la. Muito esperto.
— Não sei... mas
funcionou! Aqui estão as informações que faltavam para fecharmos o projeto e
procedermos à fase três.
— ok! Vamos trabalhar!
Durante três dias, Léo
e sua equipe revisaram as estratégias e metas de lançamento. Tudo estava
correndo de acordo com o cronograma.
A festa de lançamento
seria no Rockfeller Center em Nova York. Toda a infraestrutura foi programada! O
evento seria uma festa grandiosa para mil e quinhentos convidados (astros e
atrizes de cinema, homens e mulheres de negócios, socialites e jornalistas especializados). Haveria dois palcos e uma
tenda para a apresentação de um show multimídia com todas as etapas de
preparação do Desire. A data
escolhida foi oito de março, devido ao dia internacional da mulher.
Seria apresentada uma
instalação em homenagem às mulheres, além de uma projeção holográfica dos acontecimentos
que tornaram o Oito de março o dia internacional da mulher.
Léo cuidou de todos ao detalhes
da pré-produção e encaminhou tudo para Rudi, que as repassava para Laura. Rudi
parecia cada vez mais distante, quando estava com Léo. Só falavam no perfume,
nas projeções e no evento de lançamento. Realmente a expectativa estava grande,
pois o departamento de atendimento ao consumidor recebia diariamente centenas
de indagações e encomendas para o perfume.
Rudi estava
entusiasmado, mas a distância aumentava. Léo tentava desviar seus pensamentos
daquele jantar e daquela noite maravilhosa, entretanto estava ressentida. Sabia
que havia acontecido algo, mas não podia atinar o que seria.
Faltando um mês para o
megaevento, a oportunidade para que Léo esclarecesse tudo aquilo surgiu. Estavam
todos animados com os números do marketing,
que resolveram ir à casa de chá comemorar e relaxar.
A casa de chá localizava-se no
mesmo bairro, uma rua acima. Era um prédio robusto e antigo datado de 1930. Abrigava a charmosa casa de chá há cinquenta anos. Brindaram com café puro. A conversa
estava animada. Léo não conseguia retirar os olhos de Rudi. Ele tentava não se
deixar desnudar pelo olhar perscrutador de Léo.
Aos poucos a equipe foi
se retirando. Alguns foram para casa, outros retornaram para o escritório a fim
de terminar algumas tarefas. Rudi e Léo viram-se a sós no café.
— É, Rudi, nós conseguimos!
Não que eu duvidasse disso, mas sim por causa da grandiosidade do projeto.
— É verdade! Mas eu
havia avisado que era algo extraordinário!
— Até hoje não
acredito que Laura tentou esconder tudo, por medo de eu me tornar gananciosa com
relação às cifras empregadas. Eu sou ambiciosa, luto por tudo que almejo, mas
não me vejo gananciosa!
— Eu também não, Léo!
É isso o que eu admiro em você. A dicotomia entre a sofisticação e a simplicidade
me fascinam!
— É mesmo! Sabe, Rudi,
eu não consigo esquecer aquele jantar e aquele passeio. Eu tento dizer para mim
mesma que foi um acontecimento isolado; maravilhoso, mas isolado... Entendo que
você ao se tornar meu coordenador não pode se aproximar mais. Acredito que a
minha insistência em que você aceitasse o cargo inconscientemente faria com que me afastasse de você, emocionalmente falando. O bloqueio que isso traz me afastou de
você. Acho que é medo de me envolver, me entregar.
— Você sabe empregar
as palavras.
— É! Mas quero dizer
que independente de tudo, eu apreciei tudo o que ocorreu. Não sei o que pensa,
mas eu gosto muito de você. Cheguei até a fantasiar nossa vida juntos, pois
você definitivamente é o homem quem eu gostaria que testemunhasse minha
existência.
— Humm... Não sabe
como esperei para ouvir isso todos esses dias! É claro que não tenho medo de
nada, mas, em se tratando de você, fico pisando em ovos literalmente. Senti seu
afastamento a partir da minha assunção à coordenação do projeto. Achei que
tivesse feito ou falado alguma coisa. Repassei os fatos ocorridos milhares de
vezes e não consegui encontrar o que dera errado.
— Rudi, foi inconsciente
ou subconsciente. Freud explica! Eu quero que esse projeto seja um megassucesso.
Empenhei-me para isso, mas não quero perder uma parte importante da minha vida,
que foi ter conhecido você. Senti vontade de fugir várias vezes, mas algo subitamente
me segurou. Eu quero estar com você, tocá-lo, saber quem você é de verdade. Eu
não tenho mais medo...
— Fico feliz, Léo!
Rudi tomou as mãos de Léo
e beijou-as. Nunca uma mulher fora tão explícita e tão centrada na explicação de
seus sentimentos. Rudi sentiu um calafrio de alegria.
Rudi explicou que a
fidelização é importante para garantir o retorno do investimento. Alertou que o
custo abordado era somente da campanha publicitária no Canadá e não no restante do
mundo.
— Eu quero esclarecer
que o projeto completo, de ponta a ponta, está na casa dos noventa milhões de
dólares. Envolve a pesquisa sobre o perfil do cliente a ser atingido a escolha
dos melhores componentes que representarão o perfil levantado, o
desenvolvimento de um design adequado, à marca e ao nome do novo perfume. Iniciado em 2003, a primeira
etapa foi finalizada em 2004. Descobriu-se então que as mulheres a partir dos
vinte e sete anos tinham um pensamento
diferente com relação ao trabalho, à
família e aos relacionamentos. Algo que poderia ser transformado em uma marca e
em um perfume. Essas mulheres já não querem passar tanto tempo no escritório,
mas também não querem voltar a ser típicas donas de casa. Elas expressam suas
ideias e vontades mais diretamente, independente do que isso possa causar ao
outro. Esse comportamento está diferenciado do movimento feminista do século
vinte, que elegeu o homem o inimigo número um das mulheres e que fez manifestações
ao redor do mundo com queima de sutiãs. Essa nova mulher não vê
o homem como seu opositor ou algoz, mas
como alguém que também foi pego de surpresa pela mudanças cada vez mais
rápidas. Alguém que está tentando se adaptar às novas demandas do papel social. O marido passou a ser o
companheiro, o parceiro de forma efetiva. A mulher então começou um processo
novo, a adequação a esses novos papéis. Ela está ressentida com a dificuldade
de alguns parceiros em perceber isso e se adaptar. Essa nova mulher entende que
sua participação ativa só tem a acrescentar no relacionamento íntimo e pessoal,
bem como nas relações sociais em geral. Enfim o perfume deve ser visto como uma
ode a essa nova atitude feminina. Depois do perfil, dos
componentes, do design e da marca,
foram desenvolvidos os primeiros protótipos para testes com potenciais
clientes. Elas se mostraram bastante receptivas e positivamente manifestaram
interesse na compra do perfume. O nome escolhido: Desire. Não há nada de
original na palavra escolhida, mas, durante a testagem da fragrância, a resposta foi sobremaneira positiva. E a
abrangência da pesquisa alcançou os oitenta anos. Os resultados foram
surpreendentes.
Léo olhou suas anotações
e não encontrou essas informações no dossiê encaminhado pela Charme Ltda.
— Eu não entendo... — interrompeu Léo intempestivamente a fala de Rudi — ... por que esse dados não
constam do dossiê de trabalho da minha editoria. Você pode me explicar Laura?
— Bem, eu tencionava
mencioná-las na próxima reunião após a explanação para fazer os ajustes necessários.
— Mas esses dados
fazem muita diferença na exposição, no estudo publicitário e no direcionamento
de mídia para o lançamento do perfume Laura. Como pôde.. não repassar as
informações?
— Eu queria um
campanha sóbria, mas sincera. A contaminação pelas cifras do projeto poderiam
prejudicar a criatividade que eu pretendia alcançar.
— Mas Laura...
— Eu sei que soneguei
informação, mas você conseguiu alcançar o meu objetivo. A campanha esta sóbria,
mas criativa. Com certeza vai chamar muito a atenção de todos!
— Estou estupefata com
sua atitude Laura. Você ouviu o que Rudi disse? — nesse momento levantou-se da
mesa de reuniões — é importante conhecer o grau de fidelidade dessas mulheres.
— Isso é besteira,
Léo. Não em venha com essa! — respondeu rispidamente Laura — Nós somos
mulheres! Nós sabemos que, uma vez que assumamos um compromisso, tentamos até o
fim cumpri-lo, não é? As mulheres se casam melhor com os perfumes do que com os
homens. Uma vez escolhido o favorito, é difícil deixar de usá-lo pelo menos em
ocasiões marcantes ou especiais!
— Claro, mas sonegar
informações, Laura! Não é justo! Com a empresa, com o projeto e especialmente
comigo! É um aspecto importante que não pode ser deixado de lado!
— Você está
radicalizando! Eu queria somente preservar a campanha da tentação da empresa de
publicidade e da sua equipe de viajar na maionese.
— Ridículo! — gritou
Léo — Sinto, mas acho que a situação está insustentável. Eu peço para me
retirarem da direção do projeto do Desire.
Verei com nosso coordenador a seleção de outro gerente, se assim você preferir!
— Não é possível, Léo!
Só quis preservá-la e é assim que reage?
— Sinto! Estou me
retirando... — falou rapidamente, recolhendo seu material e saindo sem olhar
para trás.
— Um minuto! — interrompeu
Rudi, um pouco espantado com o rumo da conversa entre as duas mulheres — desculpe não queria causar transtornos a você Laura! Mas não podemos permitir
que Léo saia agora do projeto. Seria uma catástrofe! Sonegar as informações
realmente foi um erro, mas não chega a ser grave!
Léo estava no hall do andar, aguardando o elevador,
quando Rudi a segurou pelo braço.
— Calma aí!
Precisamos falar!
— Sinto, mas você terá
que se reportar ao meu coordenador. Eu estou fora!
— Você é sempre
assim...
— Assim como?
— Impulsiva,
intempestiva...
— Não, mas não posso
aguentar desrespeito. Laura me deixou agir como idiota. Como pôde sonegar
informações importantes?
— Você não sabe como
ela gosta de manipular as pessoas para conseguir seus objetivos. Você não a
conhece como eu! Sempre querendo manter-se no controle da situação...
Léo estancou absorta
com o comentário. Como poderia ser? O jeito de Rudi ao se referir a Laura era o
mesmo de Sven ao falar sobre Kíria.
— Agora já não importa
mais... Não terei mais que falar com ela...
— Você está muito
nervosa! Será que posso convidá-la para jantar? Vá para casa, descanse um pouco
e às nove horas mando apanhá-la para jantarmos em meu hotel, certo?
— Mas...
— Infelizmente não aceito
“não” como resposta. Temos muito que acertar. Gostaria de fazê-lo no jantar.
Diga-me seu endereço!
Léo
informou-lhe seu endereço sem ter como recusar. Estava
hipnotizada com a proximidade daquele homem semelhante a Sven. O elevador chegou
e ela entrou como um autômato. Quando teria sua vida sob controle novamente?
Desde que Sven surgira, tudo virara de ponta-cabeça.
Respirou fundo quando
chegou à rua. Havia um cheiro de umidade no ar. Acabara de chover. Nas ruas
molhadas, as pessoas se movimentavam apressadas. Léo tinha somente duas
horas para estar pronta. Apanhou seu carro e não soube como chegou em casa.
Jogou-se na cama, confusa.
Que semana! Será que
embolaria mais? Por que Rudi era parecido com Sven? Quem era ele? Será que Sven
finalmente acreditara em sua história e agora tentava um meio de falar com ela?
Às oito horas saltou da
cama, tomou uma ducha fria para limpar a mente, perfumou-se. Vestiu um lindo
vestido branco de seda, que realçava suas formas e destacava o tom de sua pele:
jambo. Colocou joias simples.
Uma limusine foi apanhá-la
pontualmente às nove horas e conduziu-a ao hotel, onde Rudi estava hospedado:
um sofisticado cinco estrelas à beira-mar.
Léo pensou em perguntar
a Rudi se ele seria Sven, mas desistiu da ideia. Ele pensaria que ela era louca
ou coisa parecida. Decidiu aproveitar o jantar da melhor maneira possível.
Ao chegar, foi levada
ao restaurante, que estava deserto. Rudi a aguardava vestido num legítimo
Giorgio Armani cinza feito sob medida. "Sóbrio e charmoso", pensou Léo, "exatamente
como Sven". Afastou os pensamentos.
— Nossa! Como você
está linda! Exuberante!
— Obrigada! — sorriu
Léo.
— Você estava muito
tensa no final da reunião!
— Não era para estar?
Quando você é vítima de manipulação e descobre, é o fim! Parece outra situação
que vivi recentemente...
— Que situação?
— Você disse que temos
muito a acertar! Do que se trata?
— Léo, antes de tudo,
eu compreendo sua relutância em continuar no projeto, mas não podemos abrir mão
de você e de tudo o que foi feito até aqui! Gostaria que reconsiderasse sua
decisão.
— Infelizmente, Rudi,
não vejo como conseguir isso. Laura agiu de forma desleal.
— Eu sei! Eu disse a
ela que foi estupidez... Espero mesmo que reconsidere.
Nesse momento, uma das
mãos de Rudi tocou a de Léo. Ela sentiu uma
onda de calor . Ai! Como era bom sentir aquele toque! Léo disfarçou.
— Eu até poderia
fazê-lo — retrucou Léo, recolhendo sua mão —, mas com uma condição.
— Peça! Prometo que
moverei céus e terra para mantê-la conosco.
— Não quero mais
tratar com Laura. Eu a respeitava bastante, mas depois de hoje, não creio que
possa mais confiar nela.
— Léo, ela é a
presidente da Charme!
— Eu sei! Tocarei o
projeto em frente, desde que não tenha que tratar diretamente com ela. Eu sei
que fui intempestiva ao pedir demissão, mas não podia deixar barato toda a
situação. Empenhei-me muito com minha equipe nesse projeto. Até tive que
recusar ou protelar outros projetos para que a dedicação fosse total. É muito
ruim ver tudo ir por água abaixo. Rudi gostaria de tratar tudo com você!
— Mas eu não estarei
aqui por muito tempo... Na verdade eu estou aqui por insistência de Laura. Ela
disse-me que era imprescindível vir e participar da explanação sobre a
campanha. Jamais imaginei que tramava alguma coisa.
— É claro
que ser feita de boba é muito ruim! Ninguém gosta disso, mas o que
realmente pesou foi a sonegação de informação. Ainda por cima um tipo de
informação crucial, que não pode ser conseguida por outra fonte.
— É, você tem razão...
— suspirou Rudi desesperançado — Como poderemos resolver esse impasse?
— Tome esse projeto em
suas mãos. Você pode fazê-lo com base na atitude de Laura. Não sou orgulhosa a
ponto de deixar que um trabalho, no qual coloquei toda minha energia criativa,
vá para o espaço. Reconsidere em ficar, tocar todas as etapas e supervisionar a
minha equipe. Eu sei que, apesar de termos que corrigir o rumo da campanha, ela
funciona. Ela atinge seu objetivo!
— Uau! Como você fala
com entusiasmo! Há tempos que não convivo com alguém assim tão focado! Você vê
porque não pode deixar o projeto? — Rudi alcançou a mão de Léo e a apertou
levemente.
O maitre trouxe a carta de vinhos. Rudi selecionou um tinto seco,
safra 1986 para continuarem a conversa.
— É isso que eu quero
Rudi! Além de distância da Laura...
Pediram a sugestão do chef: rosbife ao molho de laranja com
purê de batatas e lentilhas. Léo apreciou bastante o jantar. O vinho estava
perfeito, de sabor encorpado. O rosbife muito perfumado.
— Pense na minha
proposta! E dê-me uma resposta amanhã — pontuou Léo, erguendo a taça. O gesto
foi prontamente correspondido por Rudi. Léo pediu crepe suzette para sobremesa,
pois era leve e possuía um sabor exótico.
Mergulharam então numa
conversa amistosa sobre viagens, lugares favoritos, acontecimentos. Riram muito.
“Ah! Que delícia!”, pensou Léo, “Há quanto tempo não passava uma noite tão agradável
ao lado de um homem inspirador.”
Os dias haviam se sucedido sem promessas,
apresentando só o estresse e a pressão de Laura em torno da campanha. Aquela
louca deveria ser internada. Por que não forneceu as informações? Deveria
deixar tudo correr de acordo com a cabeça desvairada dela? Loucura! Entretanto
ela estava ali em frente a um homem lindo, másculo, inteligente e parecido com
Sven. Como explicar isso?
— Você já teve a
impressão de encontrar alguém que já tenha visto em outro lugar, em outra
situação, Rudi?
— Isso acontece muito,
mas é só impressão...
— Não é impressão!
Pode parecer loucura, mas eu o conheci em outra época!
— O que diz?!?
— É fato! Você se
chamava Sven, vivia numa cidade do século treze em algum lugar entre a Suíça e
a França. Estava em pé de guerra com uma rainha chamada Kíria por causa de um lindo
campo de lavanda. Este campo tinha pertencido à sua família por gerações, mas
seu avô havia vendido para o pai dessa rainha. Eu acabei me envolvendo na
história, porque Kíria queria vender o tal campo para mim a qualquer custo.
Você tentava me dissuadir de comprá-lo.
— Interessante, Léo!
Mas eu não sou esse Sven! Acho que ele causou uma forte impressão em você!
— Talvez tenha sido
tudo obra da minha imaginação e da minha mente estressada! — Léo não pode
esconder a frustação após a revelação da história de Sven.
— O jantar estava
fabuloso, não?
— Sim... — respondeu
Léo um pouco absorta em seus pensamentos.
— Ainda é cedo! Nós
poderíamos passear pela cidade ou ir a algum lugar para continuarmos nossa
conversa, o que acha? Eu não conheço bem a cidade!
— Eu não sei... — vacilou Léo.
— Você pediu demissão
do projeto, não foi? Então tecnicamente você não está mais ligada à Charme, nem
à Laura nem tão pouco a mim...
— Pode ser... — Léo ficou pensativa.
— Eu só darei resposta à sua proposta amanhã. Então qual o problema?
Era a primeira vez em dias que teria uma folga para se distrair e o estresse de
hoje a tinha consumido.
— OK, tudo bem! — respondeu por fim, dando-se por vencida.
Rudi solicitou um
automóvel com motorista.
— Você conhece o lado
norte da cidade? Há grandes monumentos, que foram restaurados e bem iluminados.
Eles mostram a grandiosidade da história de Quebec!
— Hum... Jean
siga a orientação da senhorita. Lado norte da cidade...
— Sim, senhor!
Levaram cerca de quinze
minutos para chegar ao destino. Rudi ficou impressionado com a beleza do lugar.
Os monumentos eram grandiosos. Como a geografia era irregular, a cidade se
espraiava abaixo como um grande lago de luzes.
— Nossa! Léo realmente
é muito bonito.
— É! Gosto daqui! É
tranquilo para refletir!
Léo se encolheu de frio.
A noite estava limpa, mas havia uma brisa. Rudi retirou o paletó e o colocou
sobre os ombros de Léo.
— Obrigada!
— A noite está linda,
não acha?
— Sim, maravilhosa...
— Pena que não sou o
homem que você pensava...
Sentaram-se na praça
central dos monumentos. Várias luzes avermelhadas delineavam o perfil das
estátuas e dos prédios.
— Não pense mal de mim, Rudi! É que esse dias foram um pouco pesados para mim: a organização da
campanha, os preparativos para a reunião.
— Compreendo! Na verdade, acho que você pode ter tido uma depressão por ter trabalhado
tanto sem descanso e distração!
— Será?
— É bem provável!
— Espero que eu não o
tenha chateado com essa história?
— Claro que não!
— É pena que tenha
sido tudo imaginação — suspirou Léo.
— Vejo que esse homem
a impressionou bastante.
— Sim! Eu sempre fui
muito dinâmica, com inciativa. Até um pouco forte! Mas o que eu queria mesmo
era poder baixar a guarda, relaxar, ser feminina. Não ter todas as respostas! Encontrar
alguém...
— Ainda não encontrou?
— Eu pensei que
tivesse encontrado... — Léo sussurrou, olhando tristemente ao longe.
Rudi se aproximou um
pouco, tocou-lhe o queixo e beijou-lhe a face, depois os lábios. Primeiro
suavemente, depois passou a beijá-la apaixonadamente. Léo, a princípio, tentou
resistir, mas estava tão melancólica, que se rendeu.
— Léo, você é que me
deixou impressionado. Nossa! A forma como você
enfrentou Laura! Poucas vezes vi esse tipo de atitude! Todos são sempre
tão dissimulados, preocupados em agradar!
— Eu não suporto
hipocrisia, manipulação. Prefiro que tudo seja feito às claras. Tudo seria mais
leve, mais fácil...
— Ah! Léo... — Rudi
beijou-a ternamente. Depois a conduziu para o carro. Rudi pediu que Jean os
levasse ao apartamento de Léo. Durante o percurso Rudi segurava a mão de
Léo e vez por outra a levava aos lábios.
Léo estava confusa! O
cheiro, o jeito, o beijo; tudo, enfim, a fazia lembrar de Sven. Como poderia
não ser esse homem o duque de Thurgal? Chegaram ao prédio de
Léo. Jean saltou do carro e abriu a porta para Léo. Rudi desceu e tomou suas
mãos e levou aos lábios.
— Boa noite minha
querida! Procure descansar, porque amanhã teremos muito o que fazer com relação
ao projeto!
— Você vai
coordená-lo?
— Não há outra
solução, há?
— Não... — sussurrou
Léo.
— Aguardo você amanhã
às dez horas na sede da Charme.
— Mas e Laura?
— Deixe-a comigo! Ela
pode ser manipuladora e prepotente, mas sabe quando está diante de um impasse
que, por qualquer erro, pode colocar tudo a perder!
— Tomara que esteja
certo! Boa noite!
— Boa noite!
Léo viu o carro se
distanciar e suspirou. Fora uma noite maravilhosa! Que homem encantador! Há
muito não privava de companhia masculina tão agradável. Tomou o elevador
pensativa. Será que Laura entenderia a situação e sua insistência em permanecer
sob a coordenação de Rudi?
Ao abrir a porta, Jade
veio recebê-la sonolenta.
— Oi, bebê! Como
passou o dia? Sua mamãe está muito cansada! Vou colocar um pouco de leite para
você!
Jade se espichou e se
entregou às carícias de Leo. Ela bebeu rapidamente o leite e se empoleirou em
seu cantinho. Léo, por sua vez, abriu o vestido e deixou-o escorregar. Apesar
do estresse que foi o confronto com Laura, sentia-se leve. Pôde até cantarolar
alguma coisa!
Aconchegou-se entre o
lençóis e lembrou do jantar e do passeio com Rudi. É lógico que ele não era
Sven! Sven era forte, másculo, mas inseguro, precipitado, nervoso. Rudi era
terno, carinhoso, porém possuía um caráter marcante, aberto. Ele parecia não
ter medo...
Medo era o que ela
sempre sentira. Quando adolescente, deixou de se lançar nas descobertas que
pontuam essa idade, por causa dele, do medo. Ficava paralisada. Sofria muito.
Acabou vivendo pela metade.
Admirava Rudi! Sua coragem,
sua liberdade! Aquele homem tinha autoconfiança! Agora tinha certeza: Sven era
uma parte de si mesma! Inseguro, imprudente, impaciente, titubeante... Tudo o
que vira e ouvira era projeção de si mesma e de seus medos.
Às quinze horas
pontualmente Léo adentrou a sala de reuniões da Charme Limitada. Laura havia
solicitado um encontro de explanação completa do lançamento do perfume.
Sua equipe havia se
esmerado com a apresentação. Eles fariam uma demonstração em vídeo das imagens
que seriam veiculadas inicialmente para o pré-lançamento, etapa de
despertamento do público-alvo para o desejo de comprar .
Léo aguardou Shirlei
sinalizar quando estivesse tudo pronto para a apresentação. Aguardavam então a
chegada de Laura. A equipe de Léo estava bastante animada. O material ficara
pronto em tempo recorde. E a arte estava primorosa.
Léo observava a tudo
tranquila, mas não conseguia se fixar. À sua frente só enxergava o rosto de Sven,
forte e marcante. Onde estaria aquele homem? Será que ele seria uma criação dr sua mente? Deus, como aquilo tudo fora acontecer? Delírio? Sonho?
Alucinação? Parecia tão real! Essas questões povoavam a mente de Léo. Suavemente
respirou e pensou que precisava reencontrar Sven! Sua respiração diminuiu sensivelmente! Necessitava rever aquele rosto! Tudo
começou a desfocar. Houve uma certa escuridão.
— Sei o que
pretende... quer me envolver, de modo que esqueça a ameaça que fiz a você,
Leona! — Sven desvencilhou-se dela, ainda trêmulo de desejo! O que quereria aquela mulher
com esses jogos de sedução?
— Mas...
— Não vou me enredar
por sua beleza! Eu pretendo recuperar os campos! E vou fazê-lo.
Léo entrou em desespero.
Precisava explicar tudo a Sven: quem era, de onde viera. A fúria de Sven a
atemorizou. Por um instante teve o homem de sua vida nos braços, beijara-o.
Agora ele parecia outro, em completo desvario! Não era aquilo que Léo
desejara ao retornar. Dirigiu-se para a sacada. Precisava ganhar tempo. Sven assustou-se
com essa atitude.
— O que pretende? Vem
até mim e agora foge? Não sou homem para joguetes, Leona!
— Por que me trata de
forma tão dura?
Sven estancou na porta
de acesso ao cômodo.
— Você vem até minha
casa... fala a respeito da venda dos campos, da negociação com Kíria, da
necessidade de minha ajuda e depois se insinua, dando-me um beijo!
— Não tive a
intenção... simplesmente aconteceu!
— Ai, as mulheres!
Todas cheias de artimanhas!
— Por que tanta
amargura? Você foi enganando por alguém? Quem zombou de você?
— Agora tenta adivinhar
meus pensamentos...
— Espere um momento, Sven!
Quero entender por que você me trata assim, principalmente porque vim pedir sua
ajuda. Não pretendia ofendê-lo! Vou tentar explicar o que acontece. Leo
explanou sobre sua época, sobre sua vida e sobre como fora transportada. Sven a
ouvia, mas tinha no olhar um misto de incredulidade e de zombaria.
— Você tentando me
convencer que vem de outra época?
— Sim... e somente
retornei para revê-lo. Aqueles poucos momentos de conversa em meu quarto de
banho, o beijo que trocamos, sua personalidade marcaram minha alma a fogo.
Desejei ardentemente voltar... jamais encontrei um homem como você: forte e
sensível, etéreo e denso. Eu queria desesperadamente tocá-lo! Mas, quando
volto, o que você faz é somente agredir, acusar! Eu não sou Kíria! Ela
manipula, joga para conseguir o que quer. Eu não sou assim. Eu busco o
equilíbrio, estar bem! Não quero modificar ninguém, quero aprender, obter o
melhor!
Sven estava lívido! A
zombaria havia sido substituída por algo como pena.
— Lamento, Leona! Sua
história beira à loucura! Infelizmente não acredito em nada do que acaba de me
contar! O que quero é que saia da negociação dos campos, deixando o caminho
livre para que eu os recupere.
— Não sei o que houve
com você! Nem o porquê dessa insensibilidade! Realmente acho que me
enganei! Achei que havia encontrado o homem da minha vida! Estava disposta
abrir mão de qualquer coisa para provar. Agora vejo o equívoco. Você é como
todos os outros! Egoísta e extremado! Não consegue discernir quando te dizem a
verdade! Quanto aos campos... já tomei minha decisão! Vou comprá-los! O preço
está um pouco além, mas se o que Kíria diz é verdade, logo recuperarei o
investimento.
Sven esbugalhou os
olhos! O que aquela mulher queria, meu Deus? Outra louca? Ou atriz? Que
história criativa. Transporte de outra época! Homem da sua vida!
— Sinto, Leona, mas é
o que penso! Não posso coadunar com mentiras e adulações.
— Está ótimo! Acho que
já falamos o bastante... Adeus!
— Como adeus?
— Eu estou indo
embora, preciso retornar. Tenho negócios importante a tratar!
Sven entendeu que esses
negócios seriam relativos aos campos. Leona irrompeu rumo à porta. Não devia
ter-se iludido... Sven acabou mostrando sua verdadeira face! Como se enganara
tanto! Seu coração dava pulos! Como explicar tudo aquilo! Era irreal, mas
estava acontecendo.
Lembrava-se de quando
era criança! Possuía uma amiga invisível: Lilibeth. Era uma princesa medieval
que lhe contava histórias de capa e espada. Léo ficava extasiada. Imaginava
como essas histórias ocorriam: seus detalhes, coloridos e personagens.
Lilibeth, às vezes, ajudava com uma descrição específica de cada ambiente, de
cada paisagem.
Por que a lembrança de
Lilibeth ressurgira nesse momento? Seus irmãos não prestavam atenção nela.
Tentava entrar nas brincadeiras, mas logo eles corriam alegando que era pequena
demais. No começo corria atrás, entretanto depois passou a brincar
distraidamente só. Foi então que surgiu Lilibeth. Ela estava folheando um livro
de contos sobre princesas, cavaleiros e feiticeiros. Viu o desenho de Lilibeth.
A princípio achou-o parecido com ela própria, mas depois percebeu algumas diferenças:
os cabelos longos negros, os olhos azulados como as hortênsias e um leve sinal
acima do lábio.
Aquela menina se
aproximou dela e perguntou o que ela fazia. Léo se assustou. A garota vestia um
longo vestido de veludo marrom, calçava botinhas também marrons, usava uma
tiara de flores nos cabelos cacheados e possuía a pele branca como leite.
Ela ficou temerosa, mas
acalmou-se e decidiu dividir seu mundo com Lilibeth, que contou-lhe sobre sua
família, seu reino e suas aventuras.
Léo passou a ficar mais
feliz, mesmo estando distante dos irmãos. As horas divididas com Lilibeth
preenchiam sua necessidade de atenção.
O tempo inexoravelmente
passou e Lilibeth foi habitar o mundo das sombras, das lembranças e, logo
depois, foi esquecida. As obrigações do mundo adulto, principalmente, ajudaram
nesse esquecimento. Léo então compreendeu o que estava acontecendo. Estava
usando o mesmo mecanismo de criança: isolamento e fantasia. Talvez fosse a
pressão demasiada no trabalho!
Carlos tocou-lhe o
ombro, tentando dizer-lhe algo. Quanto tempo havia decorrido? Ele explicou que
a reunião fora suspensa, porque Laura havia resolvido chamar o representante europeu para discutir os detalhes do lançamento internacional do
perfume.
Houve um atraso no voo
vindo da França. Léo respirou fundo! Ainda estava tentando se recuperar do
segundo encontro com Sven, mas não conseguia acreditar que seu castelo havia se
desfeito no ar. Que decepção!
Shirlei orientou a
equipe sobre o atraso e sobre o que deveriam fazer enquanto aguardavam... Já
era perto das dezessete horas, quando Laura sorridente entrou na sala seguida
por um homem lindo!
— Como vai Leonarda?
Espero que não tenhamos feito vocês esperarem muito! Você sabe imprevistos
acontecem!
— Claro!
— Quero apresentar a
você o sócio internacional, nosso representante na Europa. Ele tem larga
experiência no campo da perfumaria, mas não é francês. É suíço! Sr. Rudi Notz!
Leonarda estendeu a mão
automaticamente para cumprimentar o sócio, quando seu sangue gelou nas veias. Estava
diante de um sósia de Sven. Léo perdeu a voz e mal conseguiu sussurrar alguma
coisa.
Carlos e Shirlei
avisaram que estava tudo pronto para a apresentação. Léo gaguejou e respirou
fundo. “Meus Deus! O que estava acontecendo?”
Tudo giraria em torno
da marca do contratipo para evitar falsificações ou contrabando. Seriam
estabelecidos pontos para a propaganda de rua (cartazes, outdoors, busdoor),
colantes somente com a palavra “Desire”
ou com a frase “ Deixe-se envolver...”. A campanha inicial seria também
veiculada na televisão e em revistas com anúncios específicos. A expectativa de
investimento inicial seria de cerca de dez milhões de dólares, abrangendo o
lançamento internacional inclusive com inserções em revistas de bordo ao redor
do mundo.
Léo frisou que
realmente o custo era alto, mas a previsão de vendas estava orçada em oitenta
milhões de dólares no varejo. Essa projeção levava em conta somente o público-alvo:
mulheres modernas, economicamente ativas com idade a partir de vinte e sete
anos. É claro que outras faixas etárias poderiam ser atingidas, devido ao
despertamento do desejo íntimo de cada mulher de se identificar com o produto.
Laura ficou satisfeita
com as explicações. Era justamente o que buscava sobriedade e ousadia bem
dosadas. Rudi permaneceu quieto todo o tempo da explanação. Parecia
contrariado! Após os elogios de Laura, educadamente interrompeu:
— Acredito que os
detalhes administrativos estão bem cobertos. Entretanto não ouvi nenhum
comentário sobre a logística para o atendimento da demanda. O que o mercado
mais absorve são novidades! Seria importante antes de gerar uma demanda de
desejo em adquirir, seria conhecer o potencial de fidelização. Há perfumes no
mercado que há muito já deveriam ter sido substituídos ou descontinuados, mas
que não o foram, porque a clientela não aceita! As tentativas de troca foram
inúteis! No mínimo vexatórias!
Léo ficou aturdida. Rudi tinha não somente a
aparência de Sven, mas também a atitude e o timbre de voz característicos:
forte e apaixonado. Sentiu seu corpo tremer. Aquilo não poderia estar
acontecendo...