Morgana despertou com preguiça. Era dia já! Não tinha conseguido conciliar sono. Lembrava-se do momento em que encontrara Ângelo.
Era um homem maravilhoso! Moreno, sensual, lábios fortes, queixo bem marcado. O que a atraíra mesmo foi seu jeito diferente! Era másculo, mas não machista. Possuía um delicadeza sob sua pele de macho. Como cheirava bem! Seus cabelos eram negros, um pouco longos.
Pode perceber que já o conhecia e sentir que ele a conhecia também. Seu coração implorava que ela confessasse sua paixão, mas Morgana titubeava. Era estranho, pois nunca se intimidara. As situações a colocavam de uma forma ou de outra diante de escolhas, as quais Morgana fazia destemidamente. Entretanto ali estava ela olhando o teto, pensando naquele homem que a desestabilizava.
Ela queria tê-lo em seus braços, beijá-lo, possuí-lo, ser possuída por ele. O que ela gostaria era poder abrir o coração e falar tudo.
Morgana havia conhecido Ângelo em uma vernissage de um amigo comum. Ele fora prestigiar o trabalho de seu colega na galeria, da qual ela era a manager. A exposição foi um sucesso! A presença de público e da crítica tinha sido bastante significativa.
Ângelo foi apresentado a Morgana por Patrick, um artista talentoso, mas excêntrico. Patrick ciumentamente insinuou que Ângelo o estava espionando. Ângelo sorriu e tratou de tranquilizá-lo.
Morgana apresentou a galeria a Ângelo e entregou-lhe um release do que havia acontecido e o que estava programado até o fim do ano. Ele ficou impressionado com a competência dela e pediu então a oportunidade de expor ali também seus traços de carvão.
Morgana então solicitou que ele lhe entregasse os documentos de praxe para exposição de trabalhos: currículo e portfólio do que já tivera exposto. Ângelo prometeu entregá-los na sexta-feira.
— Podemos tomar um café e então poderei fazer uma análise preliminar de seu trabalho.
— Ok!
— Então agendaremos: sexta-feira, 17 horas no Café LeBleu, um bistrô que fica na esquina da Avenida Ipiranga com a Rio Branco.
— Estarei lá, obrigado! — Finalizou Ângelo despedindo-se com um aperto de mão firme.
Morgana tentou disfarçar sua excitação. Seria algo diferente, pois nunca tratara de negócios fora do ambiente da galeria. Intuiu que seria uma experiência interessante.
Os dias se passaram e logo a sexta-feira chegou. Às 17 horas, Morgana chegou ao LeBleu um pouco nervosa. "Será que ele seria pontual?" Para sua surpresa ele a aguardava no hall.
— Pontual! — Ele exclamou surpreso.
— Não gosto de fazer ninguém esperar!
— O café é maravilhoso! Elegante, mas sem caretice!
— Que bom que gostou! Trouxe o material?
— Claro! Aqui está! Espero que seja esclarecedor. — Ângelo entregou-lhe o currículo e o portfólio.
— Muito interessante! — Folheou o portfólio impressionada.
O trabalho de Ângelo era forte. Explorava bem as nuances da luz com a utilização do carvão.
— Por que você escolheu o carvão?
— Bom, para mim o carvão é parecido com o ser humano. Feito de madeira, que se queima. É impressionante a beleza que se pode obter de algo que se julgava esgotado. Além disso, acho uma destinação mais gloriosa do que alimentar fornos e caldeiras...
— Muito legal! Nunca havia pensado sob esse aspecto. Você é mesmo surpreendente!
— Verdade? Tenho estado um pouco deprimido esses tempos, pois não tenho conseguido expressar toda a extensão dos meus sentimentos em minhas obras. Isso me frusta... É como se fosse magma vulcânico ativo, mas que não tem por onde extravasar.
— Talvez eu seja a fresta na crosta terrestre pela qual você poderá fluir — Morgana tentou disfarçar o sentido dúbio de suas palavras.
— Então tenho chances de expor em sua galeria?
— Claro! Gostaria de programar sua apresentação para o início do próximo ano. Tem trabalhos prontos?
— Sim! Finalizei um série chamada Inverno. São dez quadros que apresentam a tristeza e a sobriedade do inverno. Acho que traduz bem o meu estado de espírito.
— Tem projetos a viabilizar?
— Pensei em estabelecer uma viagem anti-horária pelas estações do ano. O que acha? Inverno, primavera, verão, outono...
— Ideia agradável... mas como você conseguirá retratar a luz do verão e a exuberância da primavera?
— Pensei em variar um pouco, sair da mesmice do carvão e trabalhar a luz em si.
— Parece-me criativo! Você já esboçou algo?
— Comecei a fazê-lo logo depois de conversar contigo na vernissage do Patrick e marcarmos o café. Realmente você já está pavimentando o caminho para a expressão do que está preso aqui. — Apontou para o peito.
Morgana estremeceu. Nossa! Como um homem poderia ser tão sensual, tão desarmado?
— Gostaria de ver os croquis!
— Claro! Amanhã mesmo! Gostaria que viesse até meu ateliê, que também é minha casa.
— Que tal às 19 horas? Você tem algum compromisso?
— Não!?! Então está combinado! Amanhã às 19 horas. Aqui está o endereço. — Ângelo entregou-lhe um cartão pessoal.
— Estarei lá! Tenho que ir agora! Preciso organizar a desmontagem das obras do Patrick.
— Vejo-a amanhã!
Morgana despediu-se de Ângelo e foi para a galeria. A caminho não deixou de fantasiar sobre ele e ela fazendo amor apaixonadamente. O cheiro de Ângelo a instigava. Não conseguiu pensar em outra coisa senão no futuro encontro. Sofia, sua assistente, chegou a comentar que ela estava diferente. Morgana tentou disfarçar.
Ao chegar em casa não teve ânimo para mais nada além de se jogar na cama após um banho relaxante. Só pensava em uma coisa: Ângelo... Ângelo. Foi difícil conciliar sono. A TV não apresentava nada interessante. Tentou ouvir rádio, ler. Adormeceu.
O dia seguinte chegou entristecido por uma garoa, mas isso não abalou a alegria de Morgana. A rotina foi esmagadora: projetos, propostas, currículos, eventos... entretanto o encontro com Ângelo a fazia sorrir e prosseguir.
Morgana confessava a si mesma suas segundas intenções. Todo detalhe em Ângelo a excitava: cabelos, ombros, mãos. As coxas eram divinas! Aquele homem parecia que fora talhado a cinzel por um discípulo de Michelângelo.
O que mais a atraía nele era sua jovialidade. Bastante espirituoso, Ângelo havia narrado como fora o surgimento do artista e a reação da família. Ele não tinha vergonha de nada. Possuía noção perfeita de suas fraquezas, de sua sensibilidade. Morgana ruborizou excitada. Meu Deus! O que esse homem está fazendo comigo?
As 19 horas demoraram a chegar! Morgana tocou o interfone pontualmente, a porta destravou. Os lances de escada pareceram uma eternidade. Quando chegou, a porta do apartamento estava entreaberta.
— Ângelo... — Chamou.
— Aqui! — Morgana ouviu a voz de Ângelo, que vinha de outro cômodo. Dirigiu-se até lá. Ângelo estava organizando seus trabalhos.
— Desculpe não tê-la recebido na porta, mas é o vulcão dentro de mim, entrando em erupção, graças à minha linda fresta.

Morgana tremeu com o sorriso esfuziante de Ângelo. Desarmou-se inteira, suavemente entreabriu os lábios e não se permitiu pensar em outra coisa se não nos lábios de Ângelo tocando sua pele, boca, corpo. Ela tremia... estava completamente entregue. Instintivamente Ângelo debruçou-se e beijou-a. Primeiro suave e sensualmente; depois, sôfrego e apaixonado.
Morgana suspirou e gemeu de prazer. Ao que Ângelo aproximou-a mais de si, beijando-a apaixonadamente. Ele gemeu de prazer e Morgana o abraçou forte. Não havia palavras. Os lábios de Ângelo tocaram seu colo. Suas mãos cálidas exploraram suas costas, suas coxas. Morgana não conseguia se conter o desejo. Ângelo retirou-lhe as roupas aos beijos.
— Ângelo... — Sussurrou.
— Minha querida! — Nesse momento, Morgana sentiu a pressão do sexo de Ângelo contra seu corpo. Ela arfou de desejo. Ângelo beijou-lhe as costas e lambeu-lhe os seios. Morgana tremia de prazer. Acariciava as costas de Ângelo, delineava seus músculos, sua anatomia...
— Você é uma delícia sabia? — sussurrou ela em seu ouvido.
Ângelo estremeceu e virilmente a possuiu. O encontro foi arrebatador. Dois corpos vibrando num balé único de desejo e paixão. Entregaram-se a um pas de deux de gestos e sons até um gran finale de êxtase e relaxamento.