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A paixão pelo mundo árabe surgiu nas tardes de minha infância, ao assistir o seriado Jeannie é um Gênio, pois, junto à comédia dos anos cinquenta, havia números de dança árabe, como nos filmes egípcios. Em maio de 2000, comecei a tomar aulas com Rosilene Santos. De início, achei que não conseguiria, pois, na realidade, a dança trabalha o feminino. Aos poucos e com paciência fui descobrindo a beleza de cada movimento, de cada acorde musical. Percebi que, apesar de ser um pouco diferente, a cultura árabe não está tão distante assim de nós, brasileiros. Em 2005 iniciei os estudos do árabe para entender as letras das músicas árabes. Unido a esse conhecimento, veio o interesse pela música e cultura árabes. Em 2006 fui admitida como professora no Zahra Studio de Dança do Ventre, principiando minha jornada como mestra/pesquisadora da dança oriental. Em 2008 fundei o Harém Centro de Danças no Sudoeste e, em 2010 fiz a transferência da escola para Taguatinga. Busco entender a dança, de modo geral, e a dança do ventre, de modo específico, como forma de o ser humano se expressar num mundo conturbado e caótico. E posso afirmar que cada passo tem trazido gratas surpresas e plena alegria!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dia das mães, alimento e memória afetiva

Este artigo foi escrito por mim em 17 de abril de 2009, após um dia das mães cheios de lembranças da minha falecida mãe:




Dona Angélica, descendente de índios e negros, nasceu no interior da Bahia. Depois de desiludir-se em sua juventude, resolveu embarcar no sonho de JK de construir Brasília. Chegou à cidade em 1964, quando a negra nuvem da ditadura se espalhava pelo território nacional, e logo começou a trabalhar como empregada doméstica. Pouco tempo depois conheceu seu Manoel, que se encantou com seu jeito matreiro. Casaram-se e tiveram três filhas, criadas com esforço e esmero, que frutificaram em três lindas sobrinhas. Essa descendência acarretou o comentário de que "homem na família, só por casamento".

Os encontros prazerosos sempre aconteciam ao redor da mesa de almoço da casa de seu Manoel e de dona Angélica.
A lista de iguarias daria água na boca de qualquer paxá: bife à milanesa, carne assada, feijão com tempero especial, arroz branquinho com cheiro e sabor de alho, macarrão portentoso em sua simplicidade, feijão tropeiro capaz de parar um pelotão (ou seria quarteirão?). Além desses cheiros e sabores, há ainda as reminiscências da infância: a vitamina de abacate com pão francês (às vezes recém-trazido da padaria), café com leite e biscoitos... algo, por assim dizer, distante no túnel do tempo.
Dona Angélica não nos delicia mais com suas iguarias tão perfeita e singelamente elaboradas. Talvez esteja a regalar São Pedro com biscoitos de polvilho fritos na hora ou talvez beijus (tapiocas) com manteiga recém-saídos de sua panela de alumínio batido.

A mais forte lembrança com certeza é a de um almoço oferecido em sua casa num dia de domingo com alguns convidados e um cardápio simples, mas deliciosamente preparado: arroz branquinho, feijão frescamente temperado, farofa com bacon estupendamente perfumada, salada maravilhosa e carne assada, que não ia ao forno nem tampouco à churrasqueira – uma incógnita para as filhas –, com muita alegria. Além do gosto inestimável do "muito obrigada, minha filha, por você estar aqui comigo", sem dúvida o tempero mais especial e inesquecível daquele dia e de muitos outros que se sucederiam.

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