Num
janeiro qualquer, perdida em pensamentos...
É
muito bom poder falar com você. Sinto sua falta. São dezenove
anos. Nossa! Não imaginei que pudesse ser tanto. Ainda cismo às vezes e
pergunto por que você me deixou tão cedo.
Às
vezes lembro da minha foto de admissão
da Câmara a alegria de expectativas concretizadas: ser chamada no concurso para
bibliotecário da Câmara dos Deputados e você. Isso foi nos idos de 1997.
Uau...
tanto tempo assim! Precisava chamar-lhe carinhosamente... então surgiu o apelido,
uma alcunha. Seu nome... João Cláudio! Mas para mim seria Joca... simplesmente
Joca. Ao ouvir seu nome dito bem baixinho, rapidamente lembrei do ator
Jean-Claude Van Damme... Ainda bem que foi traduzido, pois a forma francesa não
combinava em nada com um bom sobrenome brasileiro de origem portuguesa com
certeza.
As
lembranças...
Ah!
As lembranças! Quando você finalmente embarcou e avisou que estava a caminho...
Enchi-me de expectativa, pois essa é a postura dos que esperam. Seria um nonamestre
a te aguardar. Mas aos dois meses você enviou uma mensagem sem palavras, um
pouco avermelhada, súbita.
Claro
que embevecida, não prestei muita atenção... Talvez não o quisesse fazê-lo. Só
muito tempo depois de sua não chegada... Voltei àquele aviso! Joca quisera me
avisar sobre o evento eminentemente ocorrido a posteriori, mas eu desmentida, absorta, não percebi.
Desculpe-me
Joca, meu amor! Sim, meu amor! Como quisera ter meu coração disparado
avassaladoramente por esse amor incontido, absorto e incondicional. Subitamente
você foi impedido de me encontrar e fomos incapazes de colocar nosso amor em
gestos e palavras.
Logo
depois soube que Joca viera buscar a avó para acompanhá-lo em uma viagem a um
país distante, de onde não mais regressariam. Não senti ciúmes por Joca vir buscá-la
e, não a mim! Longe de mim tal sentimento... Afinal eram neto e avó!
Cismei
novamente com a lembrança de Joca. Como ele estará? E sua avó?
Foram
tão rápidos os dois meses nos quais me embriaguei com a ideia de encontrá-lo e
não sinalizei nada a respeito do meu amor! Os lábios ficaram selados entre a
alegria e a distância à espera um momento arrebatador...
Agora
a lembrança dele está novamente às voltas. E tenho que dizer nem que seja num
sussurro:
––
Eu te amo, Joca, meu filho!!


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