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A paixão pelo mundo árabe surgiu nas tardes de minha infância, ao assistir o seriado Jeannie é um Gênio, pois, junto à comédia dos anos cinquenta, havia números de dança árabe, como nos filmes egípcios. Em maio de 2000, comecei a tomar aulas com Rosilene Santos. De início, achei que não conseguiria, pois, na realidade, a dança trabalha o feminino. Aos poucos e com paciência fui descobrindo a beleza de cada movimento, de cada acorde musical. Percebi que, apesar de ser um pouco diferente, a cultura árabe não está tão distante assim de nós, brasileiros. Em 2005 iniciei os estudos do árabe para entender as letras das músicas árabes. Unido a esse conhecimento, veio o interesse pela música e cultura árabes. Em 2006 fui admitida como professora no Zahra Studio de Dança do Ventre, principiando minha jornada como mestra/pesquisadora da dança oriental. Em 2008 fundei o Harém Centro de Danças no Sudoeste e, em 2010 fiz a transferência da escola para Taguatinga. Busco entender a dança, de modo geral, e a dança do ventre, de modo específico, como forma de o ser humano se expressar num mundo conturbado e caótico. E posso afirmar que cada passo tem trazido gratas surpresas e plena alegria!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Carta ao meu amor


Num janeiro qualquer, perdida em pensamentos...

É muito bom poder falar com você. Sinto sua falta. São dezenove anos. Nossa! Não imaginei que pudesse ser tanto. Ainda cismo às vezes e pergunto por que você me deixou tão cedo.

Às vezes  lembro da minha foto de admissão da Câmara a alegria de expectativas concretizadas: ser chamada no concurso para bibliotecário da Câmara dos Deputados e você. Isso foi nos idos de 1997.

Uau... tanto tempo assim! Precisava chamar-lhe carinhosamente... então surgiu o apelido, uma alcunha. Seu nome... João Cláudio! Mas para mim seria Joca... simplesmente Joca. Ao ouvir seu nome dito bem baixinho, rapidamente lembrei do ator Jean-Claude Van Damme... Ainda bem que foi traduzido, pois a forma francesa não combinava em nada com um bom sobrenome brasileiro de origem portuguesa com certeza.

As lembranças...

Ah! As lembranças! Quando você finalmente embarcou e avisou que estava a caminho... Enchi-me de expectativa, pois essa é a postura dos que esperam. Seria um nonamestre a te aguardar. Mas aos dois meses você enviou uma mensagem sem palavras, um pouco avermelhada, súbita.

Claro que embevecida, não prestei muita atenção... Talvez não o quisesse fazê-lo. Só muito tempo depois de sua não chegada... Voltei àquele aviso! Joca quisera me avisar sobre o evento eminentemente ocorrido a posteriori, mas eu desmentida, absorta, não percebi.

Desculpe-me Joca, meu amor! Sim, meu amor! Como quisera ter meu coração disparado avassaladoramente por esse amor incontido, absorto e incondicional. Subitamente você foi impedido de me encontrar e fomos incapazes de colocar nosso amor em gestos e palavras.

Entretanto passados dez anos pude revê-lo ao longe... Em meu coração soube que era você... Era bonito! Percebi lágrimas em seus olhos. Como aquilo me abalou! Não pude secar suas lágrimas, não pude consolá-lo, tão pouco saber o porquê de tanta tristeza. Esse pensamento me perseguiu até desaparecer no horizonte de minha memória.

Logo depois soube que Joca viera buscar a avó para acompanhá-lo em uma viagem a um país distante, de onde não mais regressariam. Não senti ciúmes por Joca vir buscá-la e, não a mim! Longe de mim tal sentimento... Afinal eram neto e avó!

Cismei novamente com a lembrança de Joca. Como ele estará? E sua avó?

Foram tão rápidos os dois meses nos quais me embriaguei com a ideia de encontrá-lo e não sinalizei nada a respeito do meu amor! Os lábios ficaram selados entre a alegria e a distância à espera um momento arrebatador...

Agora a lembrança dele está novamente às voltas. E tenho que dizer nem que seja num sussurro:


–– Eu te amo, Joca, meu filho!!

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